“- Só o resto das nossas vidas se abrindo a nossa frente- comentou ela sonolenta, sentindo o cheiro dele, morno, fresco e maravilhoso, e ao mesmo tempo com um arrepio de ansiedade percorrendo se corpo ao pensar no que estava por vir: uma vida adulta e independente. Mas ela não se sentia adulta. Não estava preparada, de jeito nenhum. Era como se algum alarme de incêndio tivesse disparado de madrugada e ela se encontrasse no meio da rua com as roupas emboladas no braço. Se não tinha aprendido nada, o que iria fazer? Como preencheria os próximos dias? não tinha a menor ideia.
“o negócio era ser corajosa e ousada e realizar alguma coisa”, pensou consigo mesma. Não exatamente mudar o mundo, só um pouco à sua volta. Sair por ai com o diploma com honras de primeiro lugar em duas matérias, muita paixão e a nova máquina de escrever elétrica Smith Corona e trabalhar duro em… alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Escrever coisas bonitas. Agradar aos amigos, continuar fiel aos próprios princípios, viver plenamente, bem e com paixão. experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se possível. Comer com moderação. Coisas assim.”
Um dia

“— Por que quer se casar comigo? Além de satisfazer um desejo burguês de um ideal imposto pela sociedade desde a tenra idade para promover uma ideologia capitalista?
— Ouça. Quero me casar com você porque é a primeira pessoa que quero ver ao acordar pela manhã e a única que quero dar um beijo de boa noite. Porque a primeira vez que vi essas mãos, não pude imaginar não poder segurá-las. Mas principalmente, porque quando se ama alguém como eu te amo casar é a única coisa a fazer.”